O resultado do meu triglicérides marcou 1.100. O valor de referência ficava perto de 100.

Eu estava com a Dayana quando vi os exames. Minha glicemia também estava muito alta e o colesterol estava alto. Começamos a pesquisar o que aqueles números significavam, e eu fui ficando assustado.

A primeira pergunta foi o que poderia acontecer comigo. Depois veio a culpa.

Não vergonha. Culpa por ter deixado a minha saúde chegar àquele ponto enquanto dizia que trabalhava daquele jeito para dar o melhor à minha família.

Eu não fazia exercício, comia mal, dormia mal e bebia com frequência. Não bebia todos os dias, mas, quando começava, tinha dificuldade para reconhecer a hora de parar.

No dia 13 de agosto de 2025, decidi fazer um desafio de 40 dias sem álcool. Quarenta viraram 60, depois 90. Quase um ano depois, continuo sem beber. Foi uma das melhores decisões que tomei, mas não transformo isso em receita para ninguém.

Os exames me obrigaram a enxergar uma contradição. De que adianta conquistar um monte de coisas se eu não estiver vivo para vivê-las? De que adianta trabalhar por uma vida melhor para a família se eu não estiver presente nessa vida?

Mesmo assim, continuei um tempo na empresa. Sair não era simples. A renda da casa vinha do meu trabalho.

Até o dia em que tive uma tontura forte em São Paulo, comecei a ver pontos piscando e minha visão escureceu. Fui ao hospital. Naquele momento, os exames não mostraram um problema físico e o médico identificou uma crise de ansiedade.

Eu já tinha vivido outras crises. Nunca daquela forma.

Foi quando pensei: não dá mais.

Não conto isso como orientação médica. Ainda estou organizando minha rotina e não faço exercício com a consistência que gostaria. A mudança foi parar de tratar o cuidado comigo como uma tarefa que só entraria depois de todo o resto.

Se eu trabalho para proteger minha família, a minha presença saudável também precisa entrar nessa conta.