Era uma segunda-feira, mais ou menos duas e meia da tarde. Estava um sol bonito e eu chamei o Miguel para jogar bola.

Em algum momento, comecei a filmá-lo para mandar um vídeo para a Dayana. Foi aí que pensei: se eu ainda estivesse na empresa, provavelmente não estaria vivendo aquilo.

Estaria em São Paulo, numa reunião, resolvendo algum problema ou olhando o celular. Mas eu estava ali.

E estava sem culpa.

Eu tinha me organizado para passar aquela hora com ele. Deixei algumas tarefas rodando com ajuda da IA, fechei o computador e fui jogar bola com meu filho.

Pode parecer uma coisa completamente normal. Deveria ser mesmo. Para mim, aquela hora representou a mudança que ainda estou tentando entender.

Durante muito tempo, sucesso significava dinheiro, cargo alto e ser a pessoa que comandava. Eu alcancei boa parte disso. Cresci na carreira comercial, virei líder, virei head e ganhei bem.

Só não aconteceu aquele momento em que tudo finalmente parece resolvido. Vieram mais reuniões, responsabilidade e medo de perder o que eu tinha conquistado.

Hoje continuo querendo que meus projetos deem certo. Quero ganhar dinheiro e dar conforto à minha família. Também continuo gostando de trabalhar.

O que mudou foi a definição.

Sucesso, para mim, está começando a ser poder decidir onde colocar uma hora comum da minha vida. Trabalhar num projeto, tomar um café com a Dayana, cuidar da saúde ou jogar bola com o Miguel numa segunda-feira à tarde.

Meus projetos ainda não sustentam completamente a casa. Existe medo e existe a possibilidade de eu precisar mudar os planos. Não estou contando uma história de chegada.

Naquela segunda-feira, o trabalho poderia esperar uma hora.

Aquela hora com meu filho, não.